terça-feira, 11 de março de 2014

A briga pelo duodécimo e suas consequências

A briga pelos valores do duodécimo do Poder Judiciário ocorrida no final do ano de 2013 ainda continua. Grande parte da batalha agora se desenvolve pelo aumento das tarifas e taxas dos cartórios extra-judiciais, com objetivo de aumentar a arrecadação do judiciário, dos cartorários e penalizando ainda mais a população catarinense.

Os valores de algumas taxas aumentaram aproximadamente 1000%. É uma forma de tapar o buraco buscando na população, mais uma vez, o dinheiro necessário para o pagamento de valores atrasados. A busca por dinheiro não objetiva aumentar o salário dos trabalhadores ou implementar a URV devida. Trata-se apenas de dinheiro para caixa, sem a possibilidade dos trabalhadores usufruírem dele já que vem de outra fonte que não a arrecadação do governo.

A autonomia dos Poderes é essencial para a democracia no Brasil e em Santa Catarina. O remendo feito, a fim de salvar o executivo num ano eleitoral deixa marcas. Quebrou a coluna do judiciário e nos coloca a mercê dos donos de cartório. A fim de preservar a autonomia dos poderes a discussão política, sobre qual judiciário queremos fica de lado.

Abaixo transcrevo a notícia publicada no jornal Notícias do Dia que deixa mais clara a briga que segue nesta semana na ALESC.

Taxas de serviços de cartórios podem aumentar 1000% em Santa Catarina

Estudo mostra que maior aumento seria no registro de imóveis

Keli Magri 
FLORIANÓPOLIS

Caso os vetos do governador Raimundo Colombo ao projeto de lei que aumenta as custas cartorárias forem derrubados pelos deputados, a taxas dos serviços notários no Estado podem sofrer 1.000% de elevação. O dado faz parte de um levantamento feito pelo Secovi (Sindicato da Habitação) de Florianópolis, que tenta sensibilizar os deputados contra o projeto. Por outro lado, a Anoreg (Associação de Notários e Registradores de Santa Catarina) quer convencer os parlamentares a derrubarem os vetos do Executivo, sob a alegação de defasagem da tabela e prejuízos no setor.

Daniel Queiroz/ND
Proposta também eleva transferência de veículos de R$ 2,40 para R$ 13,00

O projeto aumenta pelo menos seis taxas e o principal reajuste está na escritura de imóveis. Segundo o presidente do Secovi de Florianópolis, Fernando Amorim Wilrich, as custas de loteamento e desmembramento, incorporação e instituição de condomínio podem chegar a 1.000%. “Neste item, o valor passaria de R$ 520,00 para R$ 1.040,00, 100% de aumento. 
Porém, o projeto propõe a cobrança de mais R$ 7,95 por unidade, que passa para R$ 70,00, o que chega a quase 1.000% de reajuste. “É abusivo”, disse o presidente. Já o presidente da Anoreg, Otávio Margarida, alega que os números do Secovi são “exagerados” e o que pesa aos contribuintes não são as taxas cartorárias, mas os impostos cobrados pelo Estado e pelos municípios. “Enquanto o cidadão paga R$ 107,05 ao Detran para transferir o carro, paga R$ 2,40 ao cartório. Para registrar um imóvel de R$ 500 mil, paga R$ 15 mil de imposto ao município e R$ 1.040 ao cartório”, argumenta o presidente ao defender o reajuste. “Se aprovada, a lei será só para 2015 e 80% dos atos não serão majorados”, assegura.
O projeto de lei 11/2013 foi aprovado em 17 de dezembro na Alesc (Assembleia Legislativa do Estado) e teve os quatro artigos que reajustam as taxas cartorá-rias vetados pelo governador. A transferência do valor do ISSQN (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza) ao contribuinte foi o principal argumento do governo.
O governador Raimundo Colombo alegou que o repasse é inconstitucional e contra o interesse público. O Tribunal de Justiça também é contra o reajuste das taxas e afirma que a competência sobre a majoração é do Judiciário e não do Legislativo.
Debate: Sindicato da Habitação contesta reajustes e associação dos Notários diz que impostos têm impacto maior que o aumento das taxas
“ISSQN direto ao cidadão é ilegal”
Defesa: o presidente do Secovi de Florianópolis, Fernando Amorim Wilrich, alega que o aumento das taxas é abusivo e ilegal. “Os cartórios representam um serviço público, sem finalidade de arrecadação. A sociedade não precisa de mais impostos”, afirmou.
ISSQN: O primeiro ponto a ser questionado é a cobrança do ISSQN ao contribuinte (de 2% a 5%), que é o responsável pelo aumento de todas as outras taxas. Repassar o imposto direto para o cidadão é ilegal. esse compromisso é dos cartórios. 
DUT: O projeto aumenta o valor do reconhecimento de assinatura do DUT para transferência de veículos, de R$ 2,40 para R$ 13,00 (+ de 400% de aumento).
Escrituras sem valor: Reajuste nas escrituras (adoção, emancipação, pacto antenupcial, convenção de condomínio, quitação, rescisão, etc.), de R$ 26,00 para R$ 71,30 (173% de aumento).
Averbação: majoração da taxa de averbação do cancelamento do ato de registro de imóveis, de R$ 80,00 para até R$ 346,00 (em torno de 300% de aumento).
Loteamentos: Aumento nas custas de loteamento e desmembramento, incorporação e instituição de condomínio, de R$ 520,00 para R$ 1.040,00 (100%). Neste item, o projeto propõe a cobrança de mais R$ 7,95 por unidade, que passa para R$ 70,00, quase 1.000% de aumento. 
Loteamentos 2: A lei prevê um limite máximo total do ato de R$ 346,00 e a proposta é retirar o teto, que poderá levar qualquer empreendimento a aumentar de R$ 1.000,00 para R$ 15.000,00, facilmente.
Aquisição de imóveis: Na aquisição de mais de um bem, o projeto sugere o cancelamento do desconto histórico para registro do segundo bem, cobrando valor cheio em todos os bens. Atualmente paga-se o valor cheio de emolumentos do primeiro bem e 2/3 do segundo bem e demais.
Projeto: se o veto for derrubado, esperamos que o Tribunal de Justiça entre com uma ação de inconstitucionalidade e barre a lei. se não fizer isso, nós o faremos.
“Reajuste não prejudica a população”
Defesa: o presidente da Anoreg, Otávio Margarida, afirma que 80% dos atos não sofrerão reajustes e que os aumentos propostos não prejudicam a população. “Os cartórios estão sofrendo com os prejuízos da tabela de valores defasada e as taxas mais baratas do país”. 
ISSQN: Até 2009 os cartórios não pagavam a taxa. isso foi mudado pelo Supremo Tribunal Federal, que obrigou os cartórios a pagar o imposto, porém a maioria dos cartórios não paga e discute a situação com a Justiça. A proposta de passar para o cidadão é acabar com essa discussão. 

DUT: Apenas 7% dos atos dos cartórios é referente a transferência de veículos. No Paraná, o serviço custa R$ 12,00 e no Rio Grande do Sul, R$ 15,00. Nossa proposta é R$ 13,00, que não compromete o orçamento de ninguém.
Escrituras sem valor: De R$ 26,00 para R$ 71, 00 é um aumento irrisório, até porque não é todo cidadão que precisa do serviço.
Loteamento: É exagerado e sem fundamento dizer que o aumento é de 1.000%. Se uma empresa construir um loteamento de 15 unidades, no valor de R$ 12 milhões vai pagar hoje no cartório R$ 1.040,00. Nossa proposta é passar para R$ 2.090 que não representa nem 0,5% do custo do empreendimento. 
Valores: o maior problema hoje não é a taxa de cartório, é o valor de impostos do estado e dos municípios. enquanto paga R$ 107,05 ao Detran para transferir o carro, paga R$ 2,40 ao cartório. Para registrar um imóvel de R$ 500 mil, paga R$ 15 mil de imposto ao município e R$ 1.040 ao cartório.
Cartórios: 282 dos 584 cartórios em SC recebem ajuda de custo do judiciário para manter estrutura. Em média, 60% do faturamento são destinados a despesas.

Projeto: Se não for aprovado, tentaremos dialogar com a classe, com o Secovi e com o judiciário para mostrar nossa realidade. O presidente do TJ sinalizou a possibilidade de reajustes.

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